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Adriano Silva

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Você vive a vida como se ela fosse um emprego ou um empreendimento?

Adriano Silva

22/08/2019 19h09

Você pode viver a vida como um funcionário sem vida no olhar.

Você aprende alguma coisa. E com esse conhecimento você vai criando lentamente uma zona de conforto. Você se isola ali dentro. Perde a curiosidade. E afasta tudo que demanda um pouco mais de esforço, tudo que lhe desafia, tudo que você ainda não conhece nem domina.

Por que lidar com ideias novas que lhe impõe o risco de repensar suas posições?

Você estabelece uma rotina. E você se apega a ela. Ela passa a definir quem você é. Você se agarra às coisas que têm. Ao que já conquistou. Desiste de expandir suas fronteiras, porque isso gera insegurança diante do desconhecido.

Você passa a jogar pela lei do menor esforço. Passa a administrar a partida no banho-maria, com passes laterais, seguros, que talvez garantam a posse de bola, mas que jamais criarão uma chance de gol.

Você se apega às pessoas mais próximas.  A repetição de gestos e encontros e conversas lhe dá uma sensação de controle. E de eternidade. Você vira uma pessoa de hábitos. Que faz de tudo para não romper com eles. Você vira um TOC enorme e ambulante. Uma pessoa previsível. Um inimigo do novo e da criatividade. Alguém que caminha pela vida em linha reta, sempre com um guarda-chuva preto debaixo do braço.

Por que conhecer gente nova? Por que tentar jeitos diferentes de fazer as coisas? Por que se aventurar por caminhos nunca antes explorados?

Você não vê a vida como uma oportunidade para realizar. Você vê a vida como uma luta para defender o seu queijo de inimigos, na maioria das vezes imaginários. Suas preocupações são mezinhas, giram numa espiral umbilical, dentro da estufa que você criou para si.

Você abandona os sonhos. Passa a importar mais com a maneira como os outros o veem do que com aquilo que você mesmo enxerga ao se olhar no espelho. Vale mais o que os outros dizem de você do que aquilo que você sabe sobre si mesmo.

Ou você pode viver a vida como um empreendedor com brilho no olho.

Você quer sempre aprender mais. Quando você se percebe entrando numa zona de conforto, você trata logo de sair de lá. Porque você não quer estacionar. Você não quer viver a vida na marcha lenta. Você quer mais da vida.

Você deseja se manter curioso, sem medo de colocar energia extra naquilo que lhe interessa aprender, naquilo que lhe desafia positivamente, naquilo que lhe faz crescer.

Você vive de ideias novas. Você vive de reavaliar constantemente, em eterno beta, as suas crenças e posições.

Você nunca fica satisfeito com as coisas que já têm. Você quer conquistar mais, expandir suas fronteiras, conhecer aquilo que você ainda não viu, explorar aquilo que você ainda não sabe.

Você não se economiza. Você joga no ataque, para marcar gols. É daqueles que deixa tudo em campo. Que está sempre disposto a andar um quilômetro a mais. Apesar do medo, da ansiedade, da angústia, das eventuais – e inevitáveis – frustrações.

Você sabe que o jogo está aí para ser jogado. E que a partida é curta, dura pouco. Você sabe que não há tempo a perder. E que é preciso aproveitar enquanto estamos por aqui, porque a contagem é regressiva, desde o momento em que nascemos.

Você gosta de conhecer gente nova. Porque elas lhe trazem informação nova, que lhe desafia. E porque ali pode estar seu próximo sócio, seu próximo colaborador, seu próximo cliente.

Você corre atrás do que é novo. De jeitos para fazer melhor, mais barato, mais rápido, mais conveniente. Mudar e fazer diferente é a única rotina que você se impõe. Você nutre a criatividade. E gosta da sensação do vento batendo no rosto.

Você vê a vida como a oportunidade de gerar um legado. De construir uma obra. De fazer diferença ao passar pela vida das pessoas.

Você nunca deixa de sonhar. Nem de trabalhar para transformar esses sonhos em realidade. Você sabe que não tem nada mais importante, ao se olhar no espelho ao fim do dia, ou ao olhar para trás no fim da vida, do que poder enxergar ali uma imagem que lhe deixe orgulhoso, e um cenário que lhe dê a sensação do dever cumprido, e feições que possam indicar que passou por aqui uma pessoa que fez de si mesmo o que queria fazer de si mesmo – e que foi feliz nesse processo.

 

Adriano Silva é jornalista e empreendedor, CEO & Founder da The Factory e Publisher do Projeto Draft e do Draft Canada. Autor de nove livros, entre eles a série O Executivo SinceroTreze Meses Dentro da TV e A República dos Editores. Foi Diretor de Redação da Superinteressante e Chefe de Redação do Fantástico, na TV Globo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Jornalista e empreendedor, CEO & Founder da The Factory e Publisher do Projeto Draft. Autor de nove livros, entre eles a série O Executivo Sincero, Treze Meses Dentro da TV e A República dos Editores. Foi Diretor de Redação da Superinteressante e Chefe de Redação do Fantástico.